Fantasia
Graphic novel lançada!
Era uma vez, um mundo em que humanos, seres espirituais, híbridos, alienígenas, transdimensionais, polimorfos, viviam em paz. Aquele era um espaço sagrado, preservado, no coração de um império hipertecnológico que se estendia por milhares de anos-luz. Ali, seres de variadas origens e linhagens eram recebidos para um processo de iniciação que poderia levar alguns dias ou muitos anos. O contato direto, corporal, com um planeta vivo. Os ritos, os mitos e a produção das culturas que se desenvolveram em tal planeta.
Nesse lugar, que já havia atravessado colapsos ao longo de milênios, com culturas belicistas, industriais, capazes de envenenar e desregular os ciclos do mundo, seguidas por períodos de reconstrução, mutação adaptativa e novo equilíbrio, nesse lugar havia um paradigma imaginal baseado na presença, no corpo, na comunhão. Ritos sexuais eram praticados há milênios, e a energia residual de orgasmos era captada e armazenada, a fim de ser facilmente invocada por qualquer forma de vida que desejasse um plus psíquico para realização de algum feito.
Os feitos: ritos coletivos que envolviam peregrinações, retiros, práticas corporais intensas (desde voos a orgias), construção de monumentos, abertura de canais entre dimensões, eventos que nos pareceriam um mix entre esporte extremo e hedonismo divino.
Há algum tempo eu terminei o processo de desenhar, compor e editar um livro que se propõe a apresentar algo desse mundo. Eu me porto como um antropólogo ali, registrando o que vejo. E, por ora, foquei minha atenção em certos rituais que envolviam justamente orgias e produção de prana/orgone/chi através do prazer. Mas o processo me levou a desviar a rota para atravessar zonas de medo e violência, de mistério e estranheza. Entendi que a construção de mundo, apesar de ser uma expectativa do leitor atual, é algo que não me interessa tanto. O mundo que estou descrevendo aqui não precisa ser destrinchado na obra. Não precisa nem existir como conceito para o leitor. Pode ser apenas um pretexto que o autor usa para que a obra venha a existir, materializada. Depois, cada leitor se vire para organizar o que vê na forma de algum significado. Compus o quadrinho como se estivesse compondo música: sentindo contrastes, rimas, ritmos, silêncios. E acabei gostando do processo - que não me torturou com a necessidade de desenhar o que eu já havia resolvido mentalmente antes, seja por roteiro ou planejamento narrativo - e do resultado, que agora você pode julgar por si.
Fantasia tomou a forma de um e-book de 72 páginas, cujo primeiro capítulo você pode apreciar neste sítio:
https://fantasiagraphicnovel.carrd.co/
Ali você encontra o link para adquirir o livro inteiro, caso lhe interesse.
É isso então. Visite o site, apoie o artista adquirindo sua mais recente obra.
Agradeço também se você vier aqui comentar sobre o que Fantasia moveu em você. Você sabe, nós, xamãs, gostamos de ouvir relatos do que nossos feitiços andaram causando por aí…
PS.: Atualmente estou burilando a história de Arelei, que já apresentei aqui nesta newsletter em termos gerais. Cada vez mais a percebo como uma espécie de mito, de figura de deusa inspiradora, meio que minha versão pessoal de Babalon. Estou me imbuindo dela, o que em geral acontece no contato com amigas-amantes que carregam uma vibe similar à dela. Expressões da Deusa…

